Pesquisa inédita aponta perfil da advocacia no Brasil

A categoria conta com mais de 1,2 milhão de profissionais no país.

Foi divulgada, dia (06/05), uma pesquisa inédita desenvolvida pelo Datafolha sobre o perfil da advocacia no Brasil. Ao todo, 303 advogados e advogadas das cinco regiões do país compartilharam seus perfis e opiniões sobre diferentes temas atuais e nacionais de uma classe que já conta com mais de 1,2 milhão de profissionais. Os resultados indicam

Foto: DivulgaçãoFoi divulgada, na noite de ontem (06), uma pesquisa inédita desenvolvida pelo Datafolha sobre o perfil da advocacia no Brasil. Ao todo, 303 advogados e advogadas das cinco regiões do país compartilharam seus perfis e opiniões sobre diferentes temas atuais e nacionais de uma classe que já conta com mais de 1,2 milhão de profissionais. Os resultados indicam dados relacionados à área de atuação, rend

 De acordo com a pesquisa, a maior parte da categoria atua nas áreas de família e sucessões (42%), trabalhista (38%), previdenciário (24%), consumidor (22%) e criminal (20%). Também foram citadas áreas como: empresarial (14%), contratos (13%), responsabilidade civil (13%), civil em geral (10%), tributário (10%), administrativo (9%), constitucional (7%) e imobiliário (7%).

Das cinco maiores áreas de atuação indicadas, só há diferença relevante na proporção de homens e mulheres no Direito Criminal, em que eles correspondem a 67% dos que disseram atuar na área. A criminal também foi a única que apresentou um percentual maior de pessoas negras (49%) do que brancas (47%). Na relação total da amostra, pessoas brancas são 62%, e negras 36%.

Em relação à modalidade de trabalho, os dados indicaram que 62% da classe atua de forma autônoma, 27% em escritórios, 6% em órgãos públicos, 4% no departamento jurídico de empresas e 1% em outro tipo de profissão jurídica. A renda individual mensal média da classe, segundo o levantamento, é de R$ 5.855, com 44% dos profissionais situados na faixa até R$ 2.500, 26% com ganhos de R$ 2.500 a R$ 5.000 e 11% com renda entre R$ 5.000 e R$ 7.500. O mesmo percentual de 11% dos advogados respondeu receber mais de R$ 10 mil por mês. A pesquisa identificou, inclusive, que há diferença significativa entre a renda média de homens (R$6.948) e a de mulheres (R$ 4.966).

O advogado Daniel Oliveira, mestre em Direito Constitucional, que também atua nas áreas administrativa, municipal, eleitoral e penal, analisa o desenvolvimento da pesquisa como um ponto muito positivo, visto que se configura como a primeira, a nível nacional, a indicar o perfil da advocacia. Ele pontua a relevância desse diagnóstico do ponto de vista social e econômico. “A pesquisa retrata a importância dos advogados e advogadas na construção da cidadania e na garantia de direitos no Brasil. Sem advogado, não há Justiça”, destaca o advogado.

Os resultados indicaram que a categoria também manifesta um alto grau de satisfação com a profissão. Em uma escala de 0 a 10, a nota média dada foi de 7,5, sendo que 3 em cada 4 (74%) deram avaliações de 7 a 10. Entre as mulheres, a nota média de satisfação foi menor (7,1) do que entre os homens (7,9).

Pandemia
A pandemia impactou diretamente no trabalho da advocacia, assim como em todos os setores da sociedade. Foi observado que a metade dos entrevistados apontou diminuição de renda durante o período (51%), enquanto 13% afirmaram ter tido aumento nos ganhos e 36% não tiveram alteração.

O jovem advogado Anderson Ferreira, de 25 anos, por exemplo, enfrentou os desafios de iniciar a carreira de forma autônoma na advocacia, atuando principalmente nas áreas do Direito Previdenciário e Trabalhista, logo no primeiro ano de pandemia. Hoje, com apenas um ano de trabalho, ele se vinculou a um escritório para tentar estabelecer uma renda fixa e fortalecer sua presença no mercado.

"Iniciar já é um grande desafio e, em meio à uma pandemia global, isso se torna ainda mais difícil, especialmente para quem não tem uma base familiar já consolidada na área. Sou o primeiro advogado da família, não tinha nenhuma fonte de renda individual antes e foi muito difícil conseguir clientes neste um ano de trabalho, eram poucos, mas recentemente consegui uma oportunidade em escritório e tem sido muito importante para que eu possa mostrar meu trabalho. Apesar das dificuldades, gosto muito da advocacia e estou disposto a enfrentar os desafios para se consolidar nela", enfatiza o jovem advogado.

Os resultados da pesquisa foram ponderados por sexo, idade e região, conforme os dados do quadro da advocacia da OAB Nacional e as entrevistas foram realizadas por telefone entre os dias 26 de fevereiro a 8 de março deste ano e publicados na Folha de São Paulo.