Pandemia suspendeu 1 milhão de cirurgias não urgentes no SUS

Em algumas regiões, o recuo teria chegado a 90%.

A pandemia de covid-19 provocou a suspensão de pelo menos 1 milhão de cirurgias eletivas (não urgentes) no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2020. O número consta de levantamento da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (Abraidi). O setor estima que, considerados os setores público e privado, a queda média nos procedimentos cirúrgicos no ano passado tenha sido de 59,8%. Em algumas regiões, o recuo teria chegado a 90%.

O levantamento, feito com empresários do setor, constatou queda de 50,8% no faturamento das empresas de produtos para saúde em 2020. O motivo foi a redução nos procedimentos cirúrgicos. O trabalho estava previsto para ser apresentado ontem no fórum do setor. As empresas fornecem próteses, implantes, stents, marca-passos, entre outros dispositivos usados em cirurgias.

“Fomos afetados com a pandemia muito mais do que outros segmentos”, afirma o presidente da Abraidi, Sérgio Rocha, com base nos dados levantados. O objetivo da redução nas cirurgias eletivas foi liberar recursos, pessoal e instalações para enfrentar a covid-19.

Especialistas estimam que nos próximos meses pode haver demanda explosiva por procedimentos. Ao mesmo tempo, a pandemia se prolonga.

A combinação dos dois processos poderá pressionar ainda mais um sistema de saúde já quase colapsado, segundo ele. “Embora cirurgias eletivas não sejam urgentes, têm um tempo para acontecer, a condição dos pacientes pode se agravar.”

Foto: ReproduçãoCirurgia hospital
Cirurgia hospital