Negacionismo de Fábio Abreu fortaleceu a atuação de facções criminosas no Piauí

Bonde dos 40 e PCC protagonizaram o mês mais sangrento da história do Piauí
Foto: ReproduçãoFábio Abreu comemora com uma arma
Fábio Abreu comemora com uma arma

  

O negacionismo, antes de chegar ao governo de Jair Bolsonaro, fez uma parada na segurança pública do Piauí (SSP-PI). Desde 2015, quando assumiu a Secretaria de Segurança Pública, o deputado federal do PL-PI, Fábio Abreu, negou a atuação das facções criminosas no Estado. Enquanto as autoridades omitiram, muros das periferias da cidade de Teresina amanheciam pichados, uma manifestação clara da demarcação da área de atuação dos membros das facções e lugares em que a Polícia Militar encontraria dificuldades para entrar.

Dois anos depois, ainda na sua gestão, o setor de inteligência da Secretaria de Justiça, repassou a SSP-PI que o Primeiro Comando da Capital (PCC) estava articulando uma ação para matar o então secretário Fábio Abreu. Apesar do plano ter sido assunto na imprensa nacional e pauta no encontro do deputado piauiense com Rodrigo Maia, que, na época, presidia a presidência da Câmara dos Deputados, Fábio Abreu, mais uma vez, não admitiu o fortalecimento das facções “Bonde dos 40” e “PCC” no Piauí. Nos bastidores, o deputado dizia que a Polícia se antecipava as ações dessas facções, impendido sua implantação e domínio no Estado. No começo de 2020, na “Operação Codinomes” Fábio Abreu, enfim, admitiu que faccionados estavam agindo de dentro dos presídios do Piauí.

Neste ano, a bomba estourou de vez na gestão do coronel Rubens Pereira, nome indicado pelo deputado federal do PL para ficar à frente da secretaria, após sua candidatura à Prefeitura de Teresina. As facções protagonizaram as últimas três semanas mais sangrentas da história do Piauí na disputa por pontos de comando do tráfico.

Foto: OitoMeiaMuros nas vilas de Teresina
Muros nas vilas de Teresina

  No início do mês, três mortes violentas e vários tiroteios nas diferentes zonas de Teresina, tiveram ligações diretas com a briga entre as facções. O caso que ganhou maior destaque foi o do jovem identificado como Robert dos Santos Mendes, de 18 anos, morto com tiro na cabeça no dia 09 de março, na Vila Nova Parnaíba, na zona Sul de Teresina. Os criminosos chegaram a gravar um vídeo mostrando a vítima no suposto tribunal do crime. Outro assassinato que chamou bastante atenção foi do padeiro João Pedro Pereira dos Reis, de 23 anos, morto na última terça-feira (16), no Conjunto PSG, na Taboca do Pau Ferrado, zona Sudeste de Teresina, por membros do PCC.  O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) confirmou que a vítima fazia parte do Bonde dos 40 e informou que um suspeito foi preso.

Como agravante da situação alarmante na segurança pública do Piauí, o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpolpi) denunciou que o sexto distrito policial, localizado no bairro Piçarra, no Centro Sul da capital, foi alvo de uma ação criminosa. Os bandidos tentaram invadir a delegacia e executar um agente que trabalha no local.

“No sexto DP, o policial quase perdeu a sua vida por falta de atenção do estado. Os policiais estão sendo obrigados a tirar plantões sozinhos e submetidos as condições mínimas de trabalho. A porta da delegacia não oferece segurança nenhuma”, disse o secretário adjunto do sindicato, identificado como Jeferson.

Enquanto isso, Bonde dos 40 e PCC seguem tirando a paz da população e provocando medo nas periferias.