História de agricultora piauiense é destaque em série da TV Globo

Sebastiana da Silva é aluna da EJA em São Raimundo Nonato.

Mais conhecida por levar alegria com a música, a agricultora Maria Sebastiana Torres da Silva, 59 anos, natural do município de São Raimundo Nonato (PI), tem sua trajetória marcada pela superação ao aprender a tocar sozinha uma antiga sanfona aos 6 anos de idade e retomar os estudos na Educação de Jovens e Adultos (EJA) com 58 anos de idade.

A história de superação por meio dos estudos da sanfoneira Sebastiana, que sempre se mostrou uma mulher com muita determinação e força de vontade, será mostrada na televisão. A piauiense é uma das personagens que terá a história narrada no documentário “Falas Femininas” da TV Globo. O programa especial será exibido nesta segunda-feira, dia 8 de março, em celebração ao Dia Internacional da Mulher, destacando as trajetórias inspiradoras das mulheres brasileiras.

Sebastiana faz parte de um perfil recorrente na modalidade de ensino Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ela teve que trabalhar na roça para ajudar no sustento da família e, por isso, em boa parte da vida, não frequentou escola, não sabia ler e nem escrever. Casou-se aos 15 anos de idade, teve nove filhos, é avó de 14 netos e continua a trabalhar como agricultora.

Em 2019, decidiu transformar sua realidade por meio dos estudos. Foi por meio da Educação de Jovens e Adultos, ofertada pela rede estadual de educação no município de São Raimundo Nonato, que o desejo de enxergar o mundo por meio das letras tomou forma ao matricular-se na Unidade Escolar Maria de Castro Ribeiro. Estesinha Marques de Sá Santos (In memória) foi a primeira diretora a incentivá-la a fazer a matrícula.

A agricultora retomou os estudos na etapa III da Educação de Jovens e Adultos, equivalente ao 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, para aprender a ler, a escrever seu nome e no futuro escrever um livro de próprio punho. Atualmente na etapa V (Ensino Fundamental do 6º ao 9º ano), na sala de aula, Sebastiana é uma aluna inspiradora para aqueles que não puderam estudar na idade esperada diante das dificuldades vividas.

“Minha profissão é trabalhar na roça, com a terra eu limpo, planto, colho e, no fim de semana, a gente está no mundo com a sanfona. Eu não tive uma infância de brincar. A minha infância era de trabalhar e desde cedo eu ajudava o papai na roça. Naquela época não estudávamos, a caneta era uma enxada e o caderno era o chão. Eu comecei a ir em uma escola com 58 anos de idade, pois eu vi que sem estudo não somos ninguém. Temos que correr atrás, pois sem luta não há vitória”, disse Sebastiana.

Busca Ativa

Assim como Sebastiana, outros jovens e adultos podem retomar os estudos na região. A unidade de ensino oferta as modalidades de Ensino Fundamental (anos finais), Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos nas etapas III e VII. Nessa modalidade, atualmente, estão matriculados 144 alunos.

A equipe da U. E.  Maria de Castro Ribeiro tem feito a Busca Ativa da EJA por meio de contato por telefones, mensagens no WhatsApp e realizando visitas nas localidades, como explica a diretora Thanandra de Sá Santos Mota, para atraírem os alunos à sala de aula.

“Como estratégia, estamos utilizando carro de som nos bairros próximos ao colégio, chamadas em rádios da cidade e mensagens nas redes sociais. Estamos trabalhando as aulas incentivando os alunos a assistirem as aulas pelo Canal Educação, então os professores enviaram para a escola as atividades para que sejam impressas e entregues aos alunos. Os professores ficam disponíveis para tirar dúvidas assim que solicitados”, pontuou a gestora.