Bolsonaro diz que não se arrependeu de discurso da 'pólvora'

Presidente afirma a auxiliares que deu o recado que queria consciente da repercussão que alcançaria

Um dia após Jair Bolsonaro reagir ao presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, e falar em "usar a pólvora", auxiliares do Palácio do Planalto dizem que não há arrependimento do presidente sobre suas declarações que aumentaram a tensão com o democrata americano. O discurso de terça-feira está sendo tratado como pontual e a expectativa é que Bolsonaro volte a baixar o tom, como vinha fazendo nos últimos meses para afastar a crise do Executivo.

Durante o pronunciamento de cerca de 30 minutos no Planalto, Bolsonaro, segundo auxiliares, deu o recado que queria consciente da repercussão que alcançaria. Ele mesmo pontuou que suas frases teriam destaque na imprensa. "Olha que prato cheio para imprensa. Prato cheio para a urubuzada que está ali atrás", disse em cerimônia de lançamento da retomada do turismo.

Foi na mesma ocasião que ele, ao se referir à pandemia de covid-19, disse que o Brasil precisa deixar de ser "um país de maricas". Depois, publicou sua fala na íntegra nas redes sociais. A militância mais radical do bolsonarismo comemorou a volta do presidente ao velho estilo.

Bolsonaro está irritado com a cobrança para que se pronuncie sobre a vitória de Biden, projetada pela imprensa americana no último sábado, 7. Aliado de Donald Trump, ele segue firme com ideia de se pronunciar após o fim das ações judiciais movidas pelo atual ocupante da Casa Branca que, sem provas, alega fraude na votação e não aceita a derrota.

Sem esconder a preferência por Trump, Bolsonaro reagiu a Biden que ameaçou aplicar sanções econômicas ao Brasil, caso não haja atuação mais firme para combater o desmatamento e as queimadas na Amazônia. Apesar do evidente mal-estar, integrantes do governo não consideram que as falas terão consequências nas relações diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos.

Para integrantes do governo, a "explosão" de chefe do Executivo foi resultado de uma série de pressões. Além da cobrança para se pronunciar sobre Biden, contribui também a perspectiva do mau desempenho de aliados nas eleições municipais. Nesta reta final, Celso Russomanno e Marcello Crivella, respectivamente candidatos a prefeito em São Paulo e no Rio, disputam uma vaga no segundo turno com representantes da esquerda.